Ando só
Pois só eu sei
Pra onde ir
Por onde andei
Ando só nem sei por que
Não me pergunte o que eu não sei
Pergunte ao pó
Desça ao porão
Siga aquele carro ou as pegadas que eu deixei
Pergunte ao pó por onde andei
Há um mapa dos meus passos nos pedaços que eu deixei
Desate o nó
Que te prendeu
A uma pessoa que nunca te mereceu
Desate o nó que nos uniu
Num desatino, um desafio
Ando só
Como um pássaro voando
Ando só
Como se voasse em bando
Ando só
Pois só eu sei andar
Sem saber até quando
Andó só
Ando só... até ...sem saber até quando
Ando só
Ando Só
(Engenheiros do hawai)
domingo, 6 de julho de 2008
domingo, 29 de junho de 2008
Como é difícil escrever o que sinto , pois é uma confusão de sentimentos ,não sei ao certo em quem confiar a não ser em meus pais ,irmãos e no Fabrício ,neles vejo a verdade e a preocupação real comigo sem pedir ou esperar algo em troca .
Percebo que todas as pessoas lá fora tem algum tipo de interesse quando se aproximam das outras ,seja ele encoberto ou escancarado ,e é deste interesse encoberto do qual tenho tanta apreenção pois não sei de onde vem .
Como pode não haver sinceridade ,honestidade e humanidade com o outro , entendo por isso que todos queiram salvar a si próprios , em seu benefício é o que mais importa .
Amigos ; eles se descrevem assim , mas não existem de verdade , fazem-se passar por boas mas depois vejo que não .Tudo que é dito na minha frente não é igual nas minhas costas , falo dos falsos amigos dos que pensava que fossem queridos ,do cinismo pelo qual estou rodeado e do qual não aguento mais .
Mas queria dizer que não sou assim ,quando gosto ,gosto de verdade ,me apego fácil as pessoas e sempre me decepciono porque espero o mesmo delas .Eu me importo com os outros apesar de não ser uma pessoa que demonstra grandes gestos de afeto em público ,me preocupo e é com o coração ; ao deitar em minha cama quentinha penso nas pessoas que estão lá fora passando frio e quando tomo meu leite quente com chocolate penso o mesmo , rezo e peço que um dia seja diferente que não aja tanta injustiça .
Não tenho muito que ajudar e nem por isso vou me fazer de coitadinha , sempre que posso ,pelo menos tento , divido o que tenho e sou o que sou em qualquer lugar sem hipocrisia e falsidades.
Percebo que todas as pessoas lá fora tem algum tipo de interesse quando se aproximam das outras ,seja ele encoberto ou escancarado ,e é deste interesse encoberto do qual tenho tanta apreenção pois não sei de onde vem .
Como pode não haver sinceridade ,honestidade e humanidade com o outro , entendo por isso que todos queiram salvar a si próprios , em seu benefício é o que mais importa .
Amigos ; eles se descrevem assim , mas não existem de verdade , fazem-se passar por boas mas depois vejo que não .Tudo que é dito na minha frente não é igual nas minhas costas , falo dos falsos amigos dos que pensava que fossem queridos ,do cinismo pelo qual estou rodeado e do qual não aguento mais .
Mas queria dizer que não sou assim ,quando gosto ,gosto de verdade ,me apego fácil as pessoas e sempre me decepciono porque espero o mesmo delas .Eu me importo com os outros apesar de não ser uma pessoa que demonstra grandes gestos de afeto em público ,me preocupo e é com o coração ; ao deitar em minha cama quentinha penso nas pessoas que estão lá fora passando frio e quando tomo meu leite quente com chocolate penso o mesmo , rezo e peço que um dia seja diferente que não aja tanta injustiça .
Não tenho muito que ajudar e nem por isso vou me fazer de coitadinha , sempre que posso ,pelo menos tento , divido o que tenho e sou o que sou em qualquer lugar sem hipocrisia e falsidades.
domingo, 22 de junho de 2008
Ao Amor Antigo
O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.
O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.
Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
a antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.
Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.
Fonte: Carlos Drummond de Andrade

não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.
O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.
Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
a antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.
Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.
Fonte: Carlos Drummond de Andrade

domingo, 15 de junho de 2008
Sou Eu
Sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo,
Espécie de acessório ou sobressalente próprio,
Arredores irregulares da minha emoção sincera,
Sou eu aqui em mim, sou eu.
Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou.
Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma.
Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim.
E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco inconseqüente,
Como de um sonho formado sobre realidades mistas,
De me ter deixado, a mim, num banco de carro elétrico,
Para ser encontrado pelo acaso de quem se lhe ir sentar em cima.
E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco longínqua,
Como de um sonho que se quer lembrar na penumbra a que se acorda,
De haver melhor em mim do que eu.
Sim, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco dolorosa,
Como de um acordar sem sonhos para um dia de muitos credores,
De haver falhado tudo como tropeçar no capacho,
De haver embrulhado tudo como a mala sem as escovas,
De haver substituído qualquer coisa a mim algures na vida.
Baste! É a impressão um tanto ou quanto metafísica,
Como o sol pela última vez sobre a janela da casa a abandonar,
De que mais vale ser criança que querer compreender o mundo —
A impressão de pão com manteiga e brinquedos
De um grande sossego sem Jardins de Prosérpina,
De uma boa-vontade para com a vida encostada de testa à janela,
Num ver chover com som lá fora
E não as lágrimas mortas de custar a engolir.
Baste, sim baste! Sou eu mesmo, o trocado,
O emissário sem carta nem credenciais,
O palhaço sem riso, o bobo com o grande fato de outro,
A quem tinem as campainhas da cabeça
Como chocalhos pequenos de uma servidão em cima.
Sou eu mesmo, a charada sincopada
Que ninguém da roda decifra nos serões de província.
Sou eu mesmo, que remédio! ...
Álvaro de Campos
Espécie de acessório ou sobressalente próprio,
Arredores irregulares da minha emoção sincera,
Sou eu aqui em mim, sou eu.
Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou.
Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma.
Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim.
E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco inconseqüente,
Como de um sonho formado sobre realidades mistas,
De me ter deixado, a mim, num banco de carro elétrico,
Para ser encontrado pelo acaso de quem se lhe ir sentar em cima.
E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco longínqua,
Como de um sonho que se quer lembrar na penumbra a que se acorda,
De haver melhor em mim do que eu.
Sim, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco dolorosa,
Como de um acordar sem sonhos para um dia de muitos credores,
De haver falhado tudo como tropeçar no capacho,
De haver embrulhado tudo como a mala sem as escovas,
De haver substituído qualquer coisa a mim algures na vida.
Baste! É a impressão um tanto ou quanto metafísica,
Como o sol pela última vez sobre a janela da casa a abandonar,
De que mais vale ser criança que querer compreender o mundo —
A impressão de pão com manteiga e brinquedos
De um grande sossego sem Jardins de Prosérpina,
De uma boa-vontade para com a vida encostada de testa à janela,
Num ver chover com som lá fora
E não as lágrimas mortas de custar a engolir.
Baste, sim baste! Sou eu mesmo, o trocado,
O emissário sem carta nem credenciais,
O palhaço sem riso, o bobo com o grande fato de outro,
A quem tinem as campainhas da cabeça
Como chocalhos pequenos de uma servidão em cima.
Sou eu mesmo, a charada sincopada
Que ninguém da roda decifra nos serões de província.
Sou eu mesmo, que remédio! ...
Álvaro de Campos
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