domingo, 4 de janeiro de 2009
"Faço menos planos e cultivo menos recordações. Não guardo muitos papéis, nem adianto muito o serviço. Movimento-me num espaço cujo tamanho me serve, alcanço seus limites com as mãos, é nele que me instalo e vivo com a integridade possível. Canso menos, me divirto mais, e não perco a fé por constatar o óbvio: tudo é provisório, inclusive nós."
domingo, 21 de dezembro de 2008
Mãos dadas

[...] tuas mãos, contudo,
Sinto nas minhas mãos,
Nosso olhar fixo e mudo
Sei o que vc pensa
Sinto o que vc sente
Quantos momentos ficaram na memória
Pra além de nós
Nosso, teu ou meu...
Quantas vezes sentimos
Choramos
Sorrimos
Quantas noites vc m amparou, pelo medo que tenho do vento
Alma nosso contacto
Quantas vezes seguimos
Pelo caminho abstrato
Que vai entre alma e alma...
Horas de calma!
Mãe t amo
domingo, 7 de dezembro de 2008
Uns versos quaisquer
Vive um momento com saudade dele
Já ao vivê-lo . . .
Barcas vazias, sempre nos impele
Como a um solto cabelo
Um vento para longe, e não sabemos,
Ao viver, que sentimos ou queremos . . .
Demo-nos pois a consciência disto
Como de um lago Posto em paisagens de torpor mortiço
Sob um céu ermo e vago,
E que nossa consciência de nós seja
Uma cousa que nada já deseja . . .
Assim idênticos à hora toda
Em seu pleno sabor,
Nossa vida será nossa anteboda:
Não nós, mas uma cor,
Um perfume, um meneio de arvoredo,
E a morte não virá nem tarde ou cedo . . .
Porque o que importa é que já nada importe . . .
Nada nos vale
Que se debruce sobre nós a Sorte,
Ou, tênue e longe, cale Seus gestos . . .
Tudo é o mesmo . . . Eis o momento . . . Sejamo-lo . . . Pra quê o pensamento? . . .
Fernando Pessoa
Já ao vivê-lo . . .
Barcas vazias, sempre nos impele
Como a um solto cabelo
Um vento para longe, e não sabemos,
Ao viver, que sentimos ou queremos . . .
Demo-nos pois a consciência disto
Como de um lago Posto em paisagens de torpor mortiço
Sob um céu ermo e vago,
E que nossa consciência de nós seja
Uma cousa que nada já deseja . . .
Assim idênticos à hora toda
Em seu pleno sabor,
Nossa vida será nossa anteboda:
Não nós, mas uma cor,
Um perfume, um meneio de arvoredo,
E a morte não virá nem tarde ou cedo . . .
Porque o que importa é que já nada importe . . .
Nada nos vale
Que se debruce sobre nós a Sorte,
Ou, tênue e longe, cale Seus gestos . . .
Tudo é o mesmo . . . Eis o momento . . . Sejamo-lo . . . Pra quê o pensamento? . . .
Fernando Pessoa
domingo, 30 de novembro de 2008

Quando te vi pra mim sorrindo,
Percebi que eras um anjo.
E as suas palavras Pareciam de outro mundo;
E as suas palavras Pareciam de outro mundo;
Um mundo bem diferente do meu.
Sempre sonhei com esse mundo
Sempre sonhei com esse mundo
E andei vagando distraída,
Num mundo bem oposto ao seu.
Estou cansada,
Estou cansada,
estou ferida
E temerosa quanto a vida,
Pois se voares ... dói meu peito
Trouxe o perfume de flores celestiais
E o brilho aveludado da luz
De mil castiçais
E o brilho aveludado da luz
De mil castiçais
Me fez pensar como são pequenos meus problemas
Como dou importância para coisas idiotas
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